As duas potências de IA em nuvem, CoreWeave e Nebius, apresentam desempenho robusto! Preços de aluguel de poder computacional disparam, contratos de curto prazo apresentam prêmio significativo
A demanda por poder computacional de IA está excedendo a oferta, e os preços de aluguel estão atingindo níveis históricos. O preço de venda do chip Blackwell no primeiro leilão da Nebius superou em 15% o recorde histórico anterior; em julho, a CoreWeave anunciou um aumento geral de preços de 25%. O prêmio em contratos de curto prazo é particularmente significativo, com o valor anualizado por megawatt nos contratos da Nebius já ultrapassando US$ 40 milhões. A lógica é que os clientes que precisam de poder computacional "disponível imediatamente" devem pagar um preço extra pela escassez.
Nebius e CoreWeave — duas empresas de locação de poder computacional nas quais a Nvidia tem participação — divulgaram seus resultados do segundo trimestre em torno de 12 de agosto, ambos superando as expectativas do mercado.
Mais importante ainda, a alta administração das duas empresas descreveu — de forma semelhante nas teleconferências de resultados — um mesmo fenômeno: os preços da locação de poder computacional para IA atingiram novos recordes, especialmente com prêmios extremamente expressivos para contratos de curto prazo.
O principal motor por trás desse aumento segue sendo a grave escassez imediata de poder computacional no mercado. Segundo Arkady Volozh, CEO da Nebius, durante a teleconferência de resultados, a empresa realizou seu primeiro leilão de capacidade computacional no segundo trimestre e, o preço de fechamento para chips Blackwell da Nvidia ficou “15% acima do máximo histórico já cobrado pela companhia”. Já a CoreWeave anunciou diretamente, em julho, um aumento de preços de 25%, atribuído pelo CFO Nitin Agrawal ao “atual ambiente de demanda”.
Após a divulgação, as ações da Nebius chegaram a disparar 34% na quarta-feira, enquanto as da CoreWeave subiram 19%.

Nebius: primeiro leilão, preço atinge recorde histórico
A Nebius registrou receita total de US$ 582 milhões no segundo trimestre, crescimento de 454% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando levemente as expectativas do mercado. O EBITDA ajustado foi de US$ 236,2 milhões, com margem de 40,6%, mais de 800 pontos-base acima da expectativa média de cerca de 30%, e um aumento expressivo na comparação trimestral.
O segmento de nuvem para IA é o carro-chefe, responsável por US$ 575 milhões da receita, equivalente a 99% do total; a receita recorrente anualizada (ARR) atingiu US$ 3 bilhões ao final do trimestre.

No quesito precificação, Arkady Volozh, CEO da Nebius, relevou um detalhe importante na teleconferência: a empresa realizou seu primeiro leilão de capacidade computacional no segundo trimestre, e o preço fechado dos chips Blackwell ficou 15% acima do maior valor já praticado pela companhia.
De acordo com Dylan, funcionário da Nebius e fonte interna, a análise dos materiais públicos da empresa nas suas redes sociais indica que o preço pelo chip Blackwell no leilão ficou não apenas 15% acima do recorde anterior, mas também cerca de 20% superior ao preço hoje praticado nas vendas diretas.
O relatório do Morgan Stanley trouxe ainda mais dados sobre a formação de preços:
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O ACV/MW (valor anualizado por MW) de contratos de curto prazo (3 a 6 meses) ultrapassou US$ 40 milhões;
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O ACV/MW dos contratos regulares do segundo trimestre superou os US$ 20 milhões — bem acima da referência de cerca de US$ 12 milhões para 2026;
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Preços dos GPUs de gerações anteriores subiram mais de 30% em relação ao primeiro trimestre.
Quatro contratos principais, considerados "marcos", tiveram valor médio acima de US$ 1 bilhão cada, com clientes como Reflection, Cohere, um laboratório emergente de IA dos EUA e um grande fundo quantitativo norte-americano. O total de novos contratos assinados (TCV) no trimestre cresceu quase 4 vezes na comparação sequencial e o TCV proveniente de novos clientes aumentou mais de 9 vezes.

O funcionário Dylan resumiu a lógica por trás disso em uma equação publicada em suas redes socais:
Nossa história pode ser entendida por uma equação: preço unitário por MW × megawatts ativados × velocidade de conversão em receita × eficiência no financiamento + alavancagem de software. No Q2, cada item dessa equação melhorou.

CoreWeave: aumento geral de 25% em julho; preços nunca vistos para novas gerações de chips
Os sinais de preço da CoreWeave foram igualmente contundentes. O CEO Michael Intrator disse a analistas na teleconferência que os “preços e margens dos chips Blackwell e da próxima geração Vera Rubin estão nos níveis mais altos já registrados, enquanto os preços dos chips da geração anterior já retomaram ou superaram os valores de alguns anos atrás”.
O CFO Nitin Agrawal anunciou, em seguida, que a empresa aumentou os preços em 25% em julho, em resposta ao ‘ambiente de demanda atual’.

A receita da CoreWeave no segundo trimestre foi de US$ 2,575 bilhões, um salto de 158% ano a ano. O Morgan Stanley, em seu relatório, ajustou para cima a projeção de receita anual de US$ 12,537 bilhões para US$ 12,957 bilhões, com alta também na estimativa de lucro operacional.
A gestão da CoreWeave se mostrou bastante otimista acerca da tendência de preços. Agrawal declarou: “Estamos mais confiantes do que nunca no retorno de longo prazo dos investimentos em nossos produtos”.
Prêmio dos contratos de curto prazo: lógica de preço em ambiente de desequilíbrio entre oferta e demanda
Por que os contratos de curto prazo são mais caros?
A lógica é similar à da precificação de hotéis: reservas de última hora costumam ser muito mais caras do que aquelas feitas com meses de antecedência. O mesmo vale para o mercado de poder computacional — quem precisa de capacidade “imediatamente disponível” paga um prêmio pela escassez.
Arkady Volozh classifica esse perfil como “clientes com demanda imediata e com tempo limitado”. Já quem fecha contratos de longo prazo, de vários anos, não precisa pagar o mesmo prêmio, pois a oferta de data centers deverá aumentar nos próximos anos. Em 2029, a oferta provavelmente será maior, reduzindo o prêmio ao longo do tempo.
Isso explica por que ambas as empresas estão conscientemente favorecendo contratos de curto prazo — eles garantem retornos significativamente maiores no momento.
O analista Nick Del Deo, do Morgan Stanley, destacou em relatório de terça-feira: “A questão dos preços tem chamado muita atenção do mercado recentemente.”
O BNP Paribas também ressaltou, em relatório de 12 de agosto, que a atual precificação de contratos de curto prazo da Nebius “é similar à dos contratos firmados recentemente pela SpaceX”. A SpaceX alugou, em ocasiões recentes, poder computacional para Anthropic e Google, inaugurando esse novo padrão de contratos de curto prazo com prêmio elevado.
Expansão acelerada, mas queima de caixa continua intensa
O outro lado dos preços elevados é que as duas empresas seguem em expansão acelerada e com gastos de capital elevados.
No caso da Nebius, relatório do Morgan Stanley aponta US$ 5,657 bilhões em capex no segundo trimestre e uma estimativa de US$ 23,41 bilhões em 2024. A meta de capacidade contratada para 2026 foi revisada para cima, de mais de 4GW para 5GW, e a companhia planeja implementar mais de 1GW de nova capacidade por ano a partir de 2027.
Dylan, funcionário da Nebius, avalia o cenário da seguinte forma:
No Q2, o investimento em capital fixo ficou em torno de US$ 5,7 bilhões. Converter gigawatts em capacidade computacional exige muito capital e execução quase perfeita. O turning point desse negócio não está em se tornar leve em ativos, mas em cada vez mais projetos serem suportados por contratos, pré-pagamentos e serem financiáveis.
No segundo trimestre, cerca de 70% dos contratos da Nebius incluíram pré-pagamento pelos clientes; quatro contratos emblemáticos (com valor médio acima de US$ 1 bilhão) tiveram pré-pagamento cobrindo 50-60% do investimento relacionado. O tempo de retorno do investimento caiu de 2-3 anos, historicamente, para cerca de 1 ano e 10 meses.
Com a CoreWeave, o cenário é semelhante. Segundo o Morgan Stanley, o fluxo de caixa livre estimado para 2026 é negativo em US$ 30,286 bilhões e a dívida deverá crescer para cerca de US$ 38 bilhões até o fim de 2026.

As duas empresas ainda operam no vermelho, mas os investidores, até o momento, não parecem se importar.
Expansão de capacidade: meta de 5GW para a Nebius e aceleração da CoreWeave
Ambas as companhias seguem acelerando a expansão da capacidade operacional.
A Nebius revisou a meta de capacidade contratada para 2026 de acima de 4GW para 5GW e planeja implantar mais de 1GW ao ano a partir de 2027. Segundo a gestão, isso permitirá que a empresa alcance mais de 5GW de poder computacional em operação até 2030.
Arkady Volozh afirmou na teleconferência: "Nosso ritmo de disponibilização de capacidade ao mercado vai aumentar — pretendemos implantar mais de 1GW por ano a partir de 2027."
No lado da CoreWeave, a capacidade em uso chegou a 1.500MW ao fim do segundo trimestre; o Morgan Stanley estima que chegue a 2.000MW no fim do ano e a 3.150MW no fim de 2027.
O aplauso de Wall Street e um alerta
O mercado reagiu de forma entusiástica às duas empresas, mas Martin Peers, do The Information, fez um alerta ponderado:
O significado dos altos preços de poder computacional pode ser facilmente superestimado. O que está acontecendo agora é apenas a dificuldade de encontrar capacidade disponível no momento.
Ele destaca que os altos prêmios estão concentrados em contratos de curto prazo, enquanto a indústria de computação em nuvem está investindo centenas de bilhões de dólares para ampliar a oferta, o que tende a equilibrar o mercado no longo prazo.
O Morgan Stanley mantém a recomendação “equal weight” para a Nebius, preço-alvo de US$ 251,22, e ressalta que, apesar dos dados de preço serem encorajadores, o impacto real na receita de 2026 é limitado — esses contratos de curto prazo irão refletir apenas mais adiante, com a gestão indicando efeitos claros nas receitas a partir de 2027.

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