Banco Central do Reino Unido mantém taxa de juros inalterada e reduz ritmo de enxugamento do balanço acima do esperado
O Banco Central do Reino Unido anunciou nesta quinta-feira que manterá a taxa de juros básica em 3,75%, conforme esperado pelo mercado.
O aplicativo de notícias financeiras Zhihui Finance reportou que o Banco da Inglaterra anunciou nesta quinta-feira que manterá a taxa básica de juros em 3,75%, em linha com as expectativas do mercado. O Banco da Inglaterra alertou que, caso o conflito no Oriente Médio aumente a pressão inflacionária, poderá ser necessário elevar os juros. O banco também abandonou o plano de vender títulos de longo prazo do governo britânico e afirmou que pretende reduzir gradualmente seu portfólio de dívida de 4,88 trilhões de libras (6,53 trilhões de dólares) até setembro de 2034.
Seis membros do comitê, incluindo o presidente Andrew Bailey, apoiaram a manutenção da taxa, enquanto Catherine Mann, Megan Greene e Huw Pill votaram a favor de um aumento de 25 pontos-base. O dissenso dentro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra permanece semelhante ao da reunião de julho.

Em seu discurso preparado, Bailey afirmou que o choque energético global teve até agora impacto limitado sobre os preços e salários no Reino Unido. “Mas quanto mais tempo essa volatilidade persistir, maior será o impacto sobre a inflação e maior será a possibilidade de precisarmos aumentar a taxa básica do banco central”, acrescentou.
Os investidores reduziram as apostas em novas altas dos juros pelo Banco da Inglaterra, precificando totalmente apenas uma elevação até o final do ano, com 50% de chance de um novo aumento. Os títulos do governo britânico subiram, com os papéis de longo prazo liderando o movimento, e a taxa do título de 30 anos caiu 5 pontos-base para 5,80%. A libra devolveu os ganhos ante o dólar, cotada em 1,3374.
O agravamento do conflito entre EUA e Irã tornou as decisões do Banco da Inglaterra mais desafiadoras. Os preços do petróleo e gás dispararam, elevando o custo do combustível e trazendo preocupações para as famílias britânicas com o reajuste do teto de preços de energia no próximo ano.
Na ata da reunião de setembro, o Banco da Inglaterra manteve a orientação central de estar “pronto para agir”, mas acrescentou que os riscos estão “tendendo para cima” e mais intensos em comparação a julho. Destacou que a pressão sobre os preços deve crescer nos próximos meses. Os impactos indiretos, ainda não aparentes na economia do Reino Unido, podem ter sido “apenas adiados, não reduzidos”.
Atualmente, o Banco da Inglaterra prevê que a taxa de inflação no início do próximo ano será o dobro da meta de 2%, além de elevar a projeção de crescimento do PIB do terceiro trimestre para 0,4%.
No momento em que o Banco da Inglaterra decide manter as taxas estáveis, outros bancos centrais vêm apertando a política monetária. O Federal Reserve aumentou os juros nesta quarta, enquanto o Banco Central Europeu promoveu o segundo ajuste do ano na semana passada, ambos com alta de 25 pontos-base.

David Rees, chefe global de economia da Schroders Investment, comentou: “A inflação doméstica no Reino Unido está sob controle, o crescimento dos salários está desacelerando e o desemprego próximo de 5% sugere uma evidente fraqueza do mercado de trabalho. O cenário econômico atual não justifica elevar juros.” Ele acrescentou: “O maior risco está na política fiscal.”
Grande ajuste no QT: Venda de títulos de longo prazo abandonada, processo de enxugamento desacelera mais que o esperado
Contudo, para os investidores em títulos, o foco está no plano de aperto quantitativo (QT) do Banco da Inglaterra para o próximo ano, mais do que na decisão de juros anunciada nesta quinta-feira. Desta vez, o banco promoveu um grande ajuste ao QT, anunciando que deixará de vender títulos de longo prazo e pretende reduzir gradualmente seu portfólio de £4,88 trilhões (cerca de US$ 6,5 trilhões) até 2034.
Segundo a proposta ainda pendente de aprovação final, o Banco da Inglaterra manterá £120 bilhões em títulos vencendo em 2049 ou posteriormente, calibrando sua emissão futura de papel-moeda. Outros £222 bilhões em títulos vencerão naturalmente antes de 2035 e o restante, £146 bilhões com vencimento entre 2035 e 2049, será vendido a um ritmo de £20 bilhões por ano, podendo ser comprado diretamente pelo governo via Escritório de Gestão da Dívida (DMO).
Em carta ao ministro das finanças britânico, John Healey, Bailey afirmou que o arranjo “preserva a independência da política monetária” e “maximiza o valor dos fundos ao longo do ciclo planejado, minimizando custos e riscos”.
Todos os leilões planejados de QT serão suspensos até abril do próximo ano, de modo a definir os termos de venda para o DMO. Essa medida visa evitar competição direta com a emissão de novos títulos soberanos, aliviando pressões de curto prazo sobre os yields dos gilts britânicos. No entanto, o arranjo pode reduzir levemente o espaço de manobra fiscal do ministro Healey.
O mercado reagiu de forma positiva, com os títulos de longo prazo em alta e a taxa do papel de 30 anos recuando para 5,80%. O prêmio em relação aos contratos de swap (indicador da sensibilidade à oferta futura de títulos) permaneceu estável em 68 pontos-base.
O novo plano de QT chega em meio a críticas ao modo como o processo tem sido conduzido. Desde o início do enxugamento do balanço em 2022, o Banco da Inglaterra acumulou perdas de £110 bilhões, arcadas pelo contribuinte, após ter registrado lucros de £124 bilhões. Documentos do banco projetam perdas adicionais de £100 bilhões.
De acordo com a nova proposta, o portfólio será reduzido a uma média de £46 bilhões por ano, sendo £20 bilhões via vendas ativas. O mercado previa que o Banco da Inglaterra desaceleraria o ritmo de QT para £50 bilhões nos 12 meses a partir de outubro, abaixo dos £70 bilhões dos últimos dois anos e dos £100 bilhões do ano anterior.
O Tesouro Britânico e o Banco da Inglaterra colaboraram em tal arranjo por cerca de um ano, mas os termos finais ainda não foram selados. O Banco pretende vender diretamente títulos para o DMO, que poderá cancelar esses papéis e emitir novos em maior volume para atender melhor a demanda do mercado. A decisão final cabe ao Tesouro Britânico. O banco declarou que £120 bilhões em títulos de longo prazo serão mantidos como suporte de ativos a moeda em circulação, constituindo passivo do banco central.
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