Wall Street ganha mais um short seller de Lululemon (LULU.US)! Após queda de 81% em relação ao pico das ações, BMO alerta que tempos difíceis ainda estão por vir
A BMO Capital Markets acredita que a reestruturação para evitar perdas na Lululemon não será rápida nem fácil. Esta empresa de roupas esportivas está cedendo participação de mercado para concorrentes, e suas vendas continuam em queda.
De acordo com o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Finance (Brazilian Portuguese para “智通财经APP”), a BMO Capital Markets acredita que a reviravolta da Lululemon (LULU.US) não será uma tarefa rápida ou fácil. Esta empresa de roupas esportivas está perdendo participação de mercado para seus concorrentes, e o declínio das vendas está se aprofundando. A BMO iniciou a cobertura das ações esta semana, atribuindo uma classificação de “desempenho abaixo do mercado”.
Os resultados financeiros mostram que a receita da Lululemon no segundo trimestre caiu 4% em relação ao ano anterior, para US$ 2,4 bilhões, abaixo da expectativa de mercado de US$ 2,46 bilhões; as vendas nas mesmas lojas, excluindo o impacto cambial, caíram 9%, e em moeda constante diminuíram 10%, registrando a primeira queda desde a pandemia, enquanto o mercado previa uma queda de 4,28%. A receita nas Américas caiu 8% em relação ao ano anterior, com as vendas comparáveis despencando 12%. O lucro ajustado por ação foi de US$ 2,92 (dos quais US$ 0,86 vieram de reembolsos de tarifas e juros associados), superando com folga as expectativas do mercado (US$ 1,82), mas abaixo do resultado do mesmo período do ano anterior (US$ 3,10).
Ao mesmo tempo, a empresa revisou novamente para baixo suas projeções anuais, prevendo uma receita para o ano fiscal de 2026 entre US$ 10,35 bilhões e US$ 10,5 bilhões, abaixo da faixa prevista em junho e significativamente menor do que a expectativa do mercado de US$ 11,03 bilhões. O lucro anual ajustado por ação é estimado entre US$ 9,48 e US$ 9,73, também inferior ao esperado pelo mercado (US$ 10,84). A empresa já havia revisado para baixo suas projeções em junho, o que significa que as perspectivas para o ano foram revistas para baixo pelo segundo trimestre consecutivo.
A equipe de analistas da BMO, liderada por Kelly Krago, afirmou que o fraco balanço trimestral da Lululemon e o rebaixamento das expectativas anuais revelam um negócio profundamente em dificuldades. O desempenho da empresa está piorando em todas as regiões, incluindo Américas e China, enquanto marcas emergentes como Alo e Vuori estão cada vez mais conquistando os consumidores mais jovens. O preço-alvo de US$ 70 definido por Krago é o segundo mais baixo de Wall Street, sugerindo que as ações ainda podem cair cerca de 29% em relação ao fechamento de sexta-feira.
Krago declarou: “O motor de produtos que impulsionou a empresa por anos já está bastante desgastado, pois esse se tornou um segmento muito mais difícil — o estilo athleisure perdeu popularidade.” Ela acrescentou que o “afastamento da Lululemon dos consumidores já está aparecendo nos dados”.
A BMO é o mais recente grande banco a se posicionar pessimista em relação à Lululemon. Segundo dados reunidos, desde junho pelo menos quatro corretoras rebaixaram suas classificações para a ação; atualmente, existem seis recomendações de “venda”, 29 de “manter” e apenas duas de “compra”. Embora o preço-alvo médio de cerca de US$ 100 esteja próximo ao fechamento de sexta-feira, a ação já acumula queda de 52% no ano e mais de 80% desde o recorde histórico alcançado em dezembro de 2023.

As ações da Lululemon despencaram mais de 80% desde o recorde de 2023
O sentimento do mercado em relação à Lululemon continuou esfriando este ano, com investidores vendendo ações de vestuário esportivo devido a fraqueza geral do setor. A BMO projeta que dias mais difíceis aguardam a Lululemon, já que o crescimento do segmento athleisure desacelera e modas estruturadas como o jeans repontam. A equipe de Krago projeta que o lucro por ação no ano fiscal de 2027 ficará em US$ 6,35, bem abaixo do consenso de mercado de US$ 9,67. Essa estimativa reflete a visão da BMO de que a empresa será forçada a baixar preços ou liquidar estoques para estimular a demanda, reduzindo as margens de lucro.
Krago comentou: “O negócio das calças de ioga de US$ 110 é o coração deles, e é o motivo pelo qual têm margens tão altas. Se os consumidores deixarem de priorizar essa categoria, haverá pressão sobre os preços.”
A Lululemon nomeou uma nova CEO, cuja tarefa será liderar a transformação da empresa, que necessita urgentemente de uma nova visão e direção. A ex-executiva da Nike, Heidi O’Neill, assumiu oficialmente o cargo na terça-feira e sua prioridade é estancar a queda persistente nas vendas e reposicionar a marca. Antes disso, a empresa esteve envolvida em várias controvérsias, incluindo o incidente das “calças de ioga transparentes” e debates gerados por eventos de ioga promovidos pela marca.
Krago afirmou que, dada a pouca visibilidade de sucesso na transformação e as dificuldades financeiras dos consumidores, as ações podem encontrar suporte próximo de US$ 50 — atualmente, o preço está perto da mínima dos últimos oito anos. Contudo, ela destacou: “Todo o setor de vestuário esportivo está em queda livre, mas esse pessimismo extremo pode ser o momento de maior oportunidade”.
Vale mencionar que, na sexta-feira, o investidor Michael Burry, famoso pelo filme “A Grande Aposta”, revelou que comprou agressivamente ações da Lululemon por menos de US$ 100 cada. Segundo a lista de posições divulgada por Burry, Lululemon é atualmente a maior posição longa de seu portfólio.
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