CEO da Lumentum: Componentes ópticos da empresa estão esgotados até 2029 e a demanda por alguns produtos excede em 70% a oferta
O CEO revelou que até o próximo ano a demanda por alguns produtos terá um déficit de 70%, e será necessário de 3 a 5 anos para construir novas capacidades de produção. Nos últimos dois anos, a empresa aumentou a capacidade da sua principal fábrica localizada na região metropolitana de Tóquio em 12 vezes e planeja investir pelo menos US$ 350 milhões nessa fábrica e nas instalações adjacentes.
A fabricante de dispositivos ópticos Lumentum Holdings, que recebeu investimentos da NVIDIA, está enfrentando uma enorme lacuna de capacidade — segundo o CEO da empresa, todos os produtos estão totalmente esgotados até o início de 2029, com a forte demanda dos data centers de IA deixando a companhia incapaz de acompanhar.
O CEO da Lumentum, Michael Hurlston, revelou em entrevista à Bloomberg, na sexta-feira em Tóquio, que para alguns produtos, cerca de 70% da demanda prevista para o próximo ano não poderá ser atendida, enquanto para outros ainda haverá um défice de 30% até 2028. Apenas há seis meses, ele afirmava que a capacidade produtiva da empresa deveria esgotar até 2028 — mas agora este cronograma foi antecipado em quase um ano. "Estamos totalmente esgotados, não vejo o fim", afirmou Hurlston à Bloomberg.
O cenário de restrição na oferta impacta diretamente as ações de tecnologia e a lógica de investimentos em infraestrutura de IA. Analistas esperam, em média, que a Lumentum duplique suas receitas este ano.
A expansão de capacidade não acompanha a demanda
Para lidar com a explosão de pedidos, a Lumentum já multiplicou por 12 a capacidade da sua principal fábrica na região metropolitana de Tóquio nos últimos dois anos e planeja investir ao menos US$ 350 milhões nessa unidade e em instalações vizinhas. A empresa também já concluiu a expansão de sua fábrica em Caswell, no Reino Unido.
No entanto, construir capacidade produtiva em dispositivos ópticos não acontece de um dia para o outro. Hurlston destacou que para companhias como a Lumentum, a construção de novas instalações leva de três a cinco anos. Para compartilhar o risco do investimento, grandes empresas de computação em nuvem já se comprometeram a apoiar o projeto. "Essas empresas de nuvem em hiperescala estão dispostas a investir recursos nisso", afirmou.
No que diz respeito à ampliação da linha de produtos, Hurlston afirmou que a empresa pode recorrer a aquisições para fortalecer suas capacidades atuais. "Acredito que daqui a mais ou menos um ano queremos acrescentar novas capacidades em cima do que já temos", disse.
A lógica de mercado por trás do investimento da NVIDIA
O principal produto fornecido pela Lumentum é o dispositivo de fosfeto de índio (indium phosphide), material essencial para computação em nuvem e transmissão de dados de alta velocidade. No início deste ano, a NVIDIA investiu US$ 2 bilhões tanto na Lumentum quanto na concorrente Coherent Corp., evidenciando a importância estratégica dos líderes de chips de IA para a cadeia de fornecimento óptico.
A tecnologia de fotônica de silício (silicon photonics) é considerada a próxima tendência para a interconexão de data centers — ao utilizar luz em vez de cabos de cobre para transmitir dados, essa tecnologia suporta taxas de transmissão maiores para hardware de IA, além de reduzir o consumo de energia e os desafios de dissipação de calor. A Lumentum adquiriu parte dessa tecnologia ao comprar a Oclaro Inc. em 2018, empresa que herdou a experiência em óptica da Hitachi. Atualmente, a fábrica da Lumentum em Sagamihara é uma das mais avançadas do mundo na fabricação de dispositivos de fosfeto de índio.
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