Segunda edição do maior evento de investimentos de Minas Gerais traz muito conteúdo e aprendizado para mercado e investidores
Foram mais de oito horas de conteúdo em dois palcos, com debates que foram do primeiro passo de quem nunca investiu até a tokenização de ativos e a regulação cripto.
E saí de lá com a sensação de que muito do que foi discutido conversa diretamente com o que temos debatido nesta coluna, em um ano de tanta volatilidade e incerteza para os ativos de risco.
Um dos grandes destaques do palco principal foi Morgan Housel, autor de "A Psicologia Financeira", livro traduzido para dezenas de idiomas e que se tornou um fenômeno global.
A tese central do trabalho é simples e, ao mesmo tempo, desconfortável: no longo prazo, o comportamento pesa mais do que o conhecimento técnico.
Em outras palavras, saber calcular juros compostos ou ler um balanço importa menos do que conseguir manter a calma e a disciplina quando o mercado testa o nosso emocional.
Dentro dessa linha, Housel costuma chamar atenção para alguns pontos que qualquer investidor deveria ter em mente.
O primeiro é o papel da sorte e do risco: boa parte do que atribuímos à habilidade é sorte, e boa parte do que atribuímos a erro pessoal é risco que simplesmente se materializou.
O segundo é a ideia de "suficiente", uma das habilidades financeiras mais subestimadas, pois quem não sabe quando já tem o bastante tende a assumir riscos desnecessários para ganhar mais.
O terceiro é o tempo: a maior parte da riqueza é construída pela paciência e pela sobrevivência no mercado, e não por retornos extraordinários.
Por fim, ele defende que a verdadeira riqueza é aquela que não aparece, ou seja, o dinheiro que deixamos de gastar e que nos dá margem de segurança para atravessar imprevistos.
Para o investidor de bitcoin e criptomoedas, esses princípios são particularmente relevantes. Mercados de alta volatilidade testam justamente a paciência, alimentam o medo de ficar de fora (FOMO) e dão espaço para narrativas absolutistas que quase sempre se chocam com a realidade.
Também é o que defendemos ao falar de reserva de emergência: ela é a margem de segurança que permite manter uma posição sem ser forçado a vender no pior momento.
Outro grande destaque ficou com Eduardo Feldberg, o Primo Pobre, que fez uma abordagem muito interessante sobre como investir é algo para todos.
É um recado que dialoga com a redução da barreira de entrada que temos visto nos últimos anos: produtos como o Tesouro Reserva, por exemplo, podem ser acessados com apenas R$ 1,00.
Já João Vitor Menin, CEO global do Inter&Co, e Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil, comentaram sobre o papel de vanguarda que o Inter ocupa na área de investimentos no país e, cada vez mais, nos Estados Unidos.
Uma novidade que chamou minha atenção foi a Arena Digital Asset, um palco inteiramente dedicado aos ativos digitais.
Foi a primeira vez que o evento contou com esse espaço. Esse fato, por si só, já diz bastante sobre o momento do mercado. A arena passou o dia inteiro praticamente lotada e trouxe uma gama de conteúdo muito relevante para aqueles que queiram se aprofundar no mundo das criptomoedas, stablecoins e tokenização.
Ao longo do dia, a arena reuniu debates sobre temas centrais para quem acompanha o setor. Um deles foi a atuação dos bancos na tokenização, processo de transformar ativos do mundo real, como títulos e recebíveis, em representações digitais registradas em blockchain, o que promete tornar o acesso a esses ativos mais simples e eficiente.
Outro foi o desafio da regulação, no Brasil e no mundo. A propósito, o principal projeto de regulação cripto dos Estados Unidos foi rejeitado no Senado americano, o que mostra como o caminho regulatório ainda está longe de ser linear.
Também discutiu-se o momento atual do ciclo de mercado e o crescimento dos ETFs, os fundos de índice negociados em bolsa, que permitem ao investidor ter exposição a ativos, inclusive criptoativos, com a simplicidade de comprar uma ação.
Trata-se de um instrumento que tende a ganhar cada vez mais espaço entre investidores que preferem praticidade e diversificação.
Para finalizar o dia especial, com muito aprendizado e evolução, tivemos um painel especial do CNN Money no palco principal: diante de seis mil pessoas, eu, Bernardo Pascowitch, Marilia Fontes e Thiago Godoy, conversamos sobre os mitos dos investimentos que atrapalham na hora de investir.
FGC é 100% seguro? Somente milionários podem investir e internacionalizar os seus investimentos? Dinheiro é assunto para crianças? E muito mais.
Tivemos o grande privilégio de fechar o evento com este painel, justamente para incutir na audiência pensamentos e provocações para que possam investir melhor a partir do Inter Invest Summit.
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