Alemanha é acusada de tentar persuadir a UE a “aumentar impostos sobre a China”, especialistas afirmam: Merz escolheu o “remédio errado” diante dos próprios problemas
"Alemanha irá fazer lobby na União Europeia sobre políticas em relação à China, podendo buscar impor mais tarifas", disse um artigo publicado pela Bloomberg dos Estados Unidos no dia 14, horário local. O artigo afirma que o governo alemão está preparando uma "medida de segurança econômica de grande alcance" com o objetivo de "proteger indústrias estratégicas da influência chinesa", o que pode incluir a imposição de novas tarifas sobre veículos híbridos. A reportagem também cita fontes dizendo que Berlim está trabalhando com Paris para conquistar o apoio de outros Estados-membros da UE na cúpula em Bruxelas em outubro, como preparação para futuras reuniões entre UE e China. Anteriormente, o lado chinês já havia reiterado repetidamente que a UE deve encarar os seus próprios problemas, ressaltando que a China não é a fonte desses problemas, mas sim uma parceira capaz de ajudar a UE a solucioná-los. Em 15 de junho, um acadêmico chinês disse ao Global Times que Merz enfrenta certa pressão da indústria dentro do país, defendendo que a Alemanha deveria adotar uma posição mais dura em relação à China nas questões econômicas e comerciais, porém essa abordagem é gravemente equivocada ao enfrentar seus próprios problemas e "escolher o remédio errado".
Segundo a Bloomberg, fontes revelaram que o governo alemão está identificando quais setores apresentam vulnerabilidade em relação à China e está avaliando as medidas de resposta. Entre as propostas em estudo estão a imposição de novas tarifas, exigência de criação de joint ventures, reforço na revisão de investimentos e fortalecimento do sistema de controle de exportações. O governo Merz planeja obter aprovação do gabinete até 14 de outubro e, em seguida, buscar mais apoio dentro da UE. A Bloomberg também ressalta que isso indica que a política alemã em relação à China está mudando para uma postura mais dura. O artigo alega que o déficit comercial da UE com a China excede 1 bilhão de euros por dia, e que o declínio da indústria alemã já provocou a demissão de dezenas de milhares de pessoas.
O Ministério da Economia alemão recusou comentar a reportagem da Bloomberg. Alguns veículos de mídia alemães repercutiram a notícia. Pouco antes dessa notícia, em 13 de junho, veículos como o Handelsblatt relataram que, segundo relatório do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (IW), o valor dos novos investimentos de empresas alemãs na China atingiu 5,6 bilhões de euros no primeiro semestre deste ano, um aumento de aproximadamente um terço em relação ao ano passado. Sobre isso, o Handelsblatt analisou que cada vez mais empresas alemãs estão usando os lucros locais para financiar investimentos.
Por um lado, o governo alemão estaria supostamente recorrendo a políticas econômicas e comerciais mais rigorosas para lidar com a China, enquanto, por outro lado, empresas alemãs aumentam seus investimentos no país. Para acadêmicos chineses, isso não é contraditório. Em 15 de junho, Jiang Feng, pesquisador da Universidade de Estudos Estrangeiros de Xangai e presidente da Associação Regional Nacional de Xangai, disse ao Global Times que Merz enfrenta forte pressão da indústria doméstica, já que a indústria automobilística, a indústria química e a fabricação de máquinas da Alemanha passam por dificuldades. A queda nas exportações para a China fez com que esses setores demandassem do governo políticas mais rígidas. Desde que assumiu, Merz tem promovido a chamada "redução de riscos" não apenas em relação à China, mas agora também aos Estados Unidos.
Jiang Feng afirma que alguns dados do relatório da Bloomberg não se sustentam, como a afirmação de que o déficit comercial diário da UE com a China chega a 1 bilhão de euros. Tal dado não leva em conta o superávit do setor de serviços da Europa em relação à China, nem as exportações para a Europa de produtos fabricados por empresas europeias localizadas na China. Utilizar esses dados como base para formular políticas comerciais é um grave erro.
Huang Ling, porta-voz do Ministério do Comércio, declarou recentemente que as consultas em todos os níveis entre China e UE devem manter o foco no relacionamento comercial central estável e equilibrado, procurando resolver preocupações de ambas as partes em bases iguais, sem negociações unilaterais, estipulação de condições ou ameaças de fechamento de mercado. Huang Ling também declarou que o protecionismo não tem futuro e que a cooperação ganha-ganha é o caminho correto.
O pesquisador Zhou Mi, da Academia do Ministério do Comércio, disse ao Global Times em 15 de junho que a pressão que Merz enfrenta atualmente exige respostas políticas para as demandas dos eleitores, mas essa opção de endurecimento pode não beneficiar a Alemanha. O que as empresas alemãs realmente precisam são oportunidades de cooperação. Para Zhou Mi, a posição chinesa não mudará em razão dessas notícias, permanecendo sempre firme no multilateralismo e no livre-comércio. China e Alemanha possuem ampla complementaridade e base de cooperação, sendo possível resolver interesses comuns por meio da colaboração. O lado chinês também espera que a Alemanha desempenhe um papel ainda mais positivo dentro da UE, promovendo o aprofundamento da cooperação China-UE, o fortalecimento da confiança mútua e apostando na cooperação, que é muito mais eficaz do que o confronto.
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