A taxa de inadimplência em crédito privado nos Estados Unidos subiu para 6,3%, atingindo um novo recorde, enquanto a taxa de inadimplência no setor de software caiu para 0,6%.
Segundo o relatório mais recente da Fitch, a taxa de inadimplência dos private credit dos Estados Unidos, que monitora 1.300 tomadores de empréstimos, atingiu 6,3% nos 12 meses até o final de agosto, superando o recorde anterior de 6,1% em julho. As taxas de inadimplência nos setores de saúde, indústria e manufatura chegaram a 9,9%, enquanto o setor de software de tecnologia contrariou a tendência e caiu para 0,6%. Apesar das preocupações sobre a disrupção causada pela IA exercerem pressão sobre o setor de software, isso ainda não impactou significativamente a qualidade de crédito do setor.
Dados recentes da Fitch indicam que a pressão por inadimplência no mercado de crédito privado dos EUA continua a se acumular, com a taxa de inadimplência atingindo o nível mais alto já registrado, diante das incertezas relativas a juros e inflação que pesam sobre o mercado.
Em relatório divulgado na segunda-feira, a Fitch Ratings afirmou que a taxa de inadimplência dos empréstimos privados dos EUA, monitorando 1.300 tomadores, alcançou 6,3% nos 12 meses até o final de agosto, superando o recorde anterior de 6,1% em julho, além de estabelecer o maior número mensal de eventos de inadimplência em um ano.
Lyle Margolis, chefe de crédito privado da Fitch na América do Norte, destacou que as incertezas quanto ao cenário de juros e inflação restringem a liquidez das negociações, dificultando que os financiadores vendam empresas investidas em dificuldades antes do vencimento dos empréstimos, o que mantém a taxa de inadimplência em alta.
Para investidores, o recorde histórico na taxa de inadimplência implica uma ampliação adicional da exposição ao risco de crédito nos ativos de crédito privado. Operações de extensão de vencimento são classificadas pela Fitch como eventos de inadimplência e vêm dominando os dados recentes, ocupando pelo terceiro mês consecutivo a liderança entre os diferentes tipos de inadimplência.
Extensão de vencimento e diferimento de juros dominam a estrutura das inadimplências
Com base nos dados de agosto, foram registradas 14 ocorrências de inadimplência, sendo 11 referentes a estreias de inadimplência por tomadores e 3 a reincidentes.
Entre os 89 eventos de inadimplência registrados ao longo do último ano, acordos de diferimento de pagamento de juros e substituição do pagamento em dinheiro por juros pagos em espécie (PIK) corresponderam a 47% do total; já as extensões de vencimento motivadas por dificuldades responderam em agosto por 45% das inadimplências, sendo o maior tipo individual e mantendo essa posição pelo terceiro mês consecutivo.
De acordo com a Fitch, essas características estruturais refletem que, diante de dificuldades no refinanciamento, tomadores e credores passam a recorrer mais às reestruturações de dívida para evitar inadimplência imediata. Entretanto, esse tipo de operação ainda é contabilizado como inadimplência em sua metodologia de avaliação.
Setores de saúde e industrial lideram as taxas de inadimplência
Na análise setorial, os setores de saúde, industrial e manufatureiro concentraram as maiores atividades de inadimplência, com taxas de 9,9% em agosto, ante 9,5% em julho, figurando entre as mais altas no levantamento da Fitch.
Em contrapartida, o setor de software de tecnologia apresentou desempenho claramente superior à média do mercado. Apesar das preocupações quanto à disrupção causada por inteligência artificial restringirem o setor, a taxa de inadimplência recuou de 1,2% em julho para 0,6%, mantendo-se como a mais baixa entre os setores avaliados pela Fitch.
Esse resultado indica que, embora o sentimento dos investidores em relação à IA gere pressão sobre as avaliações, ainda não houve impacto efetivo na qualidade de crédito do setor.
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